Lipedema no inverno: mudanças na rotina podem agravar os sintomas

Lipedema no inverno: mudanças na rotina podem agravar os sintomas

Por ser uma doença crônica e progressiva, o lipedema exige cuidados contínuos. Entenda por que alguns hábitos comuns nos dias frios podem aumentar a dor, a sensibilidade e a sensação de peso nas pernas

Com a chegada do inverno, é comum se movimentar menos, beber menos água e mudar alguns hábitos alimentares. Para quem tem lipedema, essas alterações na rotina podem intensificar sintomas como dor, sensibilidade ao toque, rigidez e sensação de peso nas pernas.


Mas é importante entender uma diferença: não é necessariamente o frio que piora o lipedema, e sim os hábitos que muitas vezes adotamos quando as temperaturas diminuem.


“É comum as pessoas reduzirem ou interromperem a prática de exercícios, permanecerem mais tempo sentadas ou deitadas, beberem menos água e aumentarem o consumo de alimentos ultraprocessados. Não é o frio que piora o lipedema, mas a rotina que muitas vezes muda durante o inverno”, explica a fisioterapeuta Andressa Bresolin, fundadora da Liv Lipedema.


Por que os sintomas do lipedema podem mudar no inverno?

O lipedema é uma doença crônica, de origem hormonal e genética, que provoca o acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. Diferentemente da obesidade, essa gordura é inflamada e dolorosa e pode estar associada a sintomas como inchaço, sensação de peso e hematomas frequentes.


Durante o inverno, algumas pacientes percebem aumento da sensibilidade ao toque, rigidez muscular e dor. A tendência de permanecer mais tempo parada também reduz a ativação da musculatura da panturrilha, que desempenha um papel importante no retorno venoso e linfático.

“Com o frio, a gente tende a ficar mais tenso, se movimentar menos e ter mais dificuldade para manter hábitos saudáveis. Também é comum buscar a sensação de aquecimento por meio de alimentos mais pesados. Por outro lado, pacientes que mantêm uma rotina ativa costumam passar pelo inverno com menos sintomas”, afirma Andressa.


Menos inchaço significa que o lipedema melhorou?

Não necessariamente. Algumas mulheres percebem redução do inchaço durante os dias frios, mas isso não significa que a doença esteja controlada.


As baixas temperaturas provocam vasoconstrição, processo em que os vasos sanguíneos se contraem, o que pode contribuir para uma redução temporária do edema. O lipedema, no entanto, continua presente e exige acompanhamento e cuidados contínuos.


“O principal mito é acreditar que o lipedema melhora sozinho no inverno. A redução do inchaço não significa que o processo inflamatório esteja controlado. O lipedema continua sendo uma condição crônica e pode progredir quando não há tratamento e cuidados adequados”, alerta Andressa.


Como cuidar do lipedema durante o inverno?

Os pilares do tratamento permanecem importantes durante todo o ano. A prática regular de exercícios físicos, a alimentação com perfil anti-inflamatório, a hidratação adequada, a terapia compressiva e a fisioterapia descongestiva podem fazer parte das estratégias adotadas para o controle dos sintomas, sempre de acordo com as necessidades individuais de cada paciente e a orientação dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento.

Caminhada e musculação, por exemplo, ajudam a manter o corpo em movimento e a ativar a musculatura. Além disso, evitar permanecer longos períodos na mesma posição é uma medida importante, especialmente para quem trabalha muitas horas sentada ou em pé.


“O segredo é manter a constância. Mesmo que a pessoa não consiga seguir exatamente o mesmo ritmo durante o inverno, é importante não interromper os cuidados”, destaca Andressa.


Por que movimentar a panturrilha é tão importante?

A musculatura da panturrilha atua como uma espécie de bomba natural, contribuindo para o retorno venoso e linfático. Quando permanecemos muitas horas sem movimento, essa musculatura é menos ativada.

Por isso, atitudes simples podem ser incorporadas ao dia a dia: levantar-se com mais frequência durante o trabalho, fazer pequenas caminhadas e movimentar as pernas ao longo do dia.


Um exercício simples é elevar lentamente os calcanhares, ficar na ponta dos pés por alguns segundos e retornar à posição inicial. Esse movimento ajuda a ativar a musculatura da panturrilha e pode ser especialmente útil para quem permanece muitas horas na mesma posição.


O inverno pode ser um aliado no uso da compressão

Embora os dias frios possam contribuir para uma rotina mais sedentária, o inverno também oferece uma vantagem para algumas pacientes: pode ser mais confortável utilizar meias e roupas compressivas.


“No verão, muitas pacientes têm dificuldade para usar a compressão por causa do calor. No inverno, a adaptação costuma ser mais confortável. É um bom momento para criar esse hábito e estabelecer uma rotina para quando chegar o verão, período em que a compressão pode ser ainda mais necessária”, orienta Andressa.


O uso da terapia compressiva deve fazer parte de uma estratégia individualizada e ser realizado conforme a orientação profissional.


Drenagem linfática sozinha trata o lipedema?

Esse é outro mito que precisa ser esclarecido. A drenagem linfática pode ser uma ferramenta importante no cuidado de pacientes com lipedema, mas não deve ser vista como uma solução isolada.


“A drenagem é uma ferramenta importante, mas não resolve o problema sozinha. Ela precisa estar associada ao exercício físico, à alimentação, à compressão e aos demais cuidados para contribuir com o controle dos sintomas”, explica Andressa.


O tratamento do lipedema deve considerar as necessidades de cada paciente e pode envolver uma abordagem multidisciplinar, com diferentes estratégias para controlar os sintomas, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida.


O cuidado com o lipedema não tira férias no inverno

A chegada dos dias frios não deve representar uma pausa no acompanhamento ou nos hábitos adotados para o controle da doença. Mesmo quando é necessário adaptar a rotina, manter a constância é um dos pontos mais importantes.


“O inverno não deve ser encarado como uma pausa no tratamento. Manter os cuidados durante essa época faz diferença para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida”, reforça Andressa.


Você tem sinais de lipedema? Faça o teste gratuito

A Liv Lipedema, em Bento Gonçalves, é a primeira clínica exclusiva para o tratamento da doença na Serra Gaúcha e oferece atendimento multidisciplinar especializado para mulheres com lipedema, com tratamentos baseados em evidências científicas e acompanhamento individualizado.


Para ampliar o acesso à informação e auxiliar na identificação inicial dos sinais da doença, a clínica disponibiliza um teste gratuito de triagem para lipedema:


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O teste não substitui o diagnóstico ou a avaliação profissional, mas pode ajudar a identificar sinais compatíveis com a condição e indicar a necessidade de buscar acompanhamento especializado.


Informações sobre a doença, sintomas e tratamento também podem ser acompanhadas pelo Instagram @livlipedema.



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